Publicado por: lorenavinturini | 5 05UTC dezembro 05UTC 2009

“Toda a arte é um problema de equilíbrio entre dois opostos”. Cesare Pavese

Em entrevista aos alunos de jornalismo da ufba, o jornalista Samuel Lima do grupo A Tarde, diz:

Qual seria o perfil do leitor do A Tarde? Acredito que seja em grande maioria da classe A e B, talvez C. Porém, mais A e B. A população de renda mais baixa talvez tenha contato com o jornal mais pela internet na lan house, ou numa leitura rápida na banca de revista. Acho que a população da classe mais baixa prefere o Correio, que tem um preço mais acessível, e que adotou agora um perfil mais popular.

Qual a linha editorial do A Tarde?Eu vejo assim, o jornal às vezes quer ir para o lado popular, mas fica preso às suas raízes, um pouco mais conservadoras, uma visão que se encaixa mais no leitor da elite, até mesmo pelo perfil de seu público. Por exemplo, uma pessoa foi assassinada no subúrbio ferroviário e, no mesmo dia, um adolescente foi assaltado no Itaigara e tomou um tiro no braço. Lógico que a notícia do adolescente veio na frente, porque o Itaigara tem mais o público do jornal.

Até que ponto a sua visão dos fatos interfere na construção da notícia ? E o como você monitora essa interferência? Suas impressões podem estar no seu texto, mas de uma forma mais implícita. Você tem que ser jornalista, se despir da posição de pessoa indignada e ser objetivo. É claro que existem situações absurdas em que você, como jornalista, não pode fechar os olhos e consegue, não de forma escancarada, deixar no texto seu sentimento de “não indiferença” ao que você encontrou. As aspas servem muito bem à esse expediente. É sempre bom ter declarações de pessoas, criando conflitos de opiniões que levem o leitor a refletir sobre o fato. A notícia tem essa característica de despertar discussões, alimentar debates.

Ele foi sincero no perfil do leitor. Mas não foi sincero quando fala das declarações: “As aspas servem muito bem à esse expediente. É sempre bom ter declarações de pessoas, criando conflitos de opiniões que levem o leitor a refletir sobre o fato. A notícia tem essa característica de despertar discussões, alimentar debates”. Ou pelo menos isso não se encaixa nesse vídeo que está no link abaixo sobre a opinião dos soteropolitanos em relação à Marcha da Maconha que acontece hoje às 16 horas no Farol da Barra. O vídeo possui realmente várias opiniões. Mas não apresenta vários lados da “história”. Foram 10 pessoas opinando, sendo 8 contra e apenas 2 a favor. Isso é apresentar de forma equilibrada as opiniões?

 O jornalismo é uma arte que necessita do equilíbrio dos opostos!

Assista ao vídeo:  Soteropolitanos opinam sobre a Marcha da Maconha

Essa entrevista faz parte do trabalho de conclusão da disciplina Teorias do Jornalismo com a professora Lia Seixas. Os alunos entrevistaram jornalistas dos três principais jornais de Salvador: A Tarde, Correio e Tribuna. As entrevistas de todos os grupos estão no site: www.teoriasdojornalismoufba.wordpress.com


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